A 34ª Avaliação Nacional de Vinhos reúne 569 amostras de 84 vinícolas de 10 estados e do Distrito Federal. Após acompanhar de perto uma vindima na Serra Gaúcha, fiquei ainda mais interessada em entender o que esse novo mapa revela sobre o vinho brasileiro.
Recentemente, tive a oportunidade de acompanhar de perto a vindima na Serra Gaúcha. Estar entre os vinhedos durante a colheita, conhecer produtores e experimentar a relação entre vinho, gastronomia, território e turismo mudou um pouco a minha maneira de olhar para aquilo que chega à taça.
Por isso, quando recebi as informações sobre a 34ª Avaliação Nacional de Vinhos – Safra 2026, um dado me chamou especialmente a atenção: o evento chega à sua maior edição com 569 amostras inscritas por 84 vinícolas.
O número é um recorde. Mas, para mim, existe algo ainda mais interessante nessa edição: pela primeira vez, as amostras participantes vêm de 10 estados brasileiros e do Distrito Federal.
Isso ajuda a mostrar que o mapa do vinho brasileiro está ficando maior.
O vinho brasileiro está ocupando novos territórios
As amostras inscritas na Safra 2026 representam Bahia, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo, além do Distrito Federal.
O Rio Grande do Sul continua sendo o estado com maior número de amostras, mantendo o protagonismo histórico que tem na produção de vinhos do Brasil. Ao mesmo tempo, a presença de diferentes regiões mostra uma vitivinicultura brasileira cada vez mais diversificada.
É importante fazer uma distinção: esses são os estados e o Distrito Federal representados pelas amostras inscritas na Avaliação de 2026. A própria Associação Brasileira de Enologia informa que a vitivinicultura brasileira já está presente em 16 estados, com diferentes terroirs e identidades.
Essa diferença é importante porque o mapa da produção brasileira é maior do que o mapa desta edição da Avaliação.
E, quando falamos em vinho brasileiro, acredito que essa diversidade merece cada vez mais atenção.
De 42 para 569 amostras
A história da Avaliação Nacional de Vinhos ajuda a entender a dimensão dessa transformação.
A primeira edição, referente à Safra 1993, reuniu 42 amostras de 18 vinícolas. Em 2026, são 569 amostras de 84 vinícolas.
Em pouco mais de três décadas, o número de amostras inscritas cresceu de maneira expressiva.
Além disso, a Avaliação passou a registrar uma produção que não está concentrada apenas nos territórios tradicionalmente associados ao vinho brasileiro.
Desde 1993, a Associação Brasileira de Enologia realiza o evento em Bento Gonçalves e o utiliza como um registro da evolução da vitivinicultura nacional.
Por isso, vejo o recorde de 2026 como algo maior do que uma simples estatística.
O número mostra crescimento. A diversidade geográfica mostra transformação.
A Serra Gaúcha continua sendo fundamental
Minha recente experiência na Serra Gaúcha também influencia a maneira como estou olhando para esse movimento.
Durante a viagem da vindima, pude conhecer diferentes experiências ligadas à produção de vinho e perceber como o território participa da experiência.
Não é apenas sobre provar um vinho.
É sobre conhecer os vinhedos, conversar com produtores, entender um pouco da história daquela região, experimentar a gastronomia e perceber como tudo isso se conecta.
Contei parte dessa experiência no post Vindima na Serra Gaúcha: roteiro pelo Vale dos Vinhedos e Pinto Bandeira.
Em outra etapa da viagem, estive em Flores da Cunha, onde a vindima também se encontrou com festa e gastronomia. Foi uma experiência que me mostrou, mais uma vez, como o vinho pode ser uma porta de entrada para conhecer melhor um destino.
Contei essa história em Flores da Cunha: vindima, festa e o melhor menarosto da Serra Gaúcha.
Por ter passado por essa experiência recentemente, vejo a expansão do vinho brasileiro também sob a perspectiva do turismo.
O Rio de Janeiro também aparece no mapa do vinho brasileiro
Como carioca, naturalmente reparei que o Rio de Janeiro está entre os estados representados na Safra 2026.
Não sei o número exato de quantas amostras fluminenses foram inscritas nem quais vinícolas representam o estado. Portanto, não seria correto tirar conclusões sobre a dimensão ou o crescimento da participação do Rio de Janeiro apenas a partir desses dados. Ainda assim, a presença do estado na avaliação desperta minha curiosidade. Afinal, quando pensamos em vinho e turismo no Brasil, é comum que os destinos mais conhecidos estejam associados às regiões tradicionalmente produtoras.
À medida que novos territórios aparecem nesse cenário, surge também a possibilidade de conhecer outras paisagens, produtores e experiências. E essa é uma perspectiva que me interessa particularmente.
O que a Avaliação Nacional de Vinhos realmente mostra?
Para quem não acompanha o universo da enologia, existe uma informação importante sobre a Avaliação Nacional de Vinhos.
Ela não é um concurso e não estabelece um ranking dos melhores vinhos participantes.
Segundo a Associação Brasileira de Enologia, os vinhos apresentados ao público são definidos como representativos da safra brasileira em avaliação. Ao todo, 16 amostras serão apresentadas na edição de 2026, formando um painel que busca expressar a diversidade, a qualidade e a identidade da produção nacional.
Isso faz diferença na maneira de interpretar os números.
As 569 amostras anunciadas representam o número recorde de inscrições. Não significa que 569 vinhos já tenham sido avaliados e classificados.
A etapa técnica de seleção será realizada em setembro. Depois disso, os 16 vinhos representativos da Safra 2026 serão apresentados ao público no evento marcado para 17 de outubro, em Bento Gonçalves (RS).
Portanto, a história da Safra 2026 ainda está em andamento.
Vinho brasileiro também é território e viagem
Talvez seja essa a parte que mais me interessa. Quando penso em vinho brasileiro, não penso apenas na bebida. Penso também nos lugares onde ela é produzida.
Uma vinícola pode ser motivo para conhecer uma região. Um vinhedo pode entrar em um roteiro. Uma experiência de vindima pode transformar uma viagem. E a gastronomia pode completar essa história.
Foi exatamente isso que percebi durante minha viagem pela Serra Gaúcha. O vinho estava presente, mas não estava sozinho. Havia paisagem, comida, cultura, pessoas e histórias. Por isso, acredito que a expansão da vitivinicultura brasileira também pode ampliar as possibilidades do enoturismo no Brasil.
Quanto mais regiões produtoras ganham espaço, maior pode ser a diversidade de experiências disponíveis para quem gosta de viajar e descobrir novos destinos. E isso vale a pena acompanhar.
Um mapa do vinho brasileiro que merece ser descoberto
A Safra 2026 ainda não chegou ao seu momento principal. Os vinhos representativos serão conhecidos depois da etapa técnica de seleção, em setembro.
Mas alguns números já contam uma história.
São 569 amostras, 84 vinícolas e representantes de 10 estados e do Distrito Federal.
Para mim, o mais interessante não é apenas o recorde. É perceber que falar de vinho brasileiro está se tornando cada vez mais falar de diferentes territórios.
A Serra Gaúcha continua sendo fundamental nessa história — e minha experiência durante a vindima só aumentou meu interesse pela região. Ao mesmo tempo, fico curiosa para conhecer outras partes desse mapa.
Porque novos territórios produtores não significam apenas novos vinhos para provar. Significam novos lugares para conhecer.
34ª Avaliação Nacional de Vinhos – Safra 2026
Data: 17 de outubro de 2026
Local: Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul
Amostras inscritas: 569
Vinícolas participantes: 84
Abrangência das amostras: 10 estados e o Distrito Federal
A programação e as informações oficiais estão disponíveis no site da Associação Brasileira de Enologia.
Agradecimentos: Associação Brasileira de Enologia (ABE) e a Agência Conceitocom Brasil. Informações consultadas em agosto de 2026.